Fatores relacionados à polifarmácia em pessoas idosas assistidas por uma unidade de saúde da família em Manhuaçu – MG

Autores

  • Gustavo Henrique de Melo da Silva Médico e Mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM)
  • Marceli Schwenck Alves Silva Enfermeira e Mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM)
  • Glenda Pereira Lima Oliveira Acadêmica de Medicina da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM)
  • Gracielle Pampolim Fisioterapeuta e Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) – Docente na Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM)
  • Luciana Carrupt Machado Sogame Fisioterapeuta e Doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – Docente na Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM)

DOI:

https://doi.org/10.54727/cbps.v1i1.2

Palavras-chave:

Idoso, Estratégia Saúde da Família, Polifarmácia

Resumo

Objetivo: Verificar a associação entre as condições de saúde e os aspectos sociodemográficos com a polifarmácia em pessoas idosas cobertas por uma Unidade de Saúde da Família. Método: Estudo observacional transversal realizado em uma Unidade de Saúde da Família de Manhuaçu-MG. Caracterizou-se perfil socioeconômico, demográfico, condições de saúde e hábitos de vida. Verificou-se o número de medicamentos utilizados, considerando polifarmácia como o uso de 5 ou mais medicamentos. Realizou-se o Teste do Qui-quadrado de Pearson, adotando nível de significância de p<0,05 e IC 95% para todas as análises. Resultados: Dos 229 idosos selecionados, a prevalência de polifarmácia foi de 43,2%. As variáveis associadas à polifarmácia foram idade acima de 80 anos, presença de internação no último ano, presença de doença crônica, ausência de hábitos alcoólicos e ausência da prática de atividades físicas. Conclusão: Os achados demonstram que o processo de envelhecimento associado a condições negativas de saúde contribui para o uso excessivo de medicamentos neste grupo populacional. Os achados corroboram com a necessidade de capacitação de profissionais de saúde no manejo das condições de saúde dos idosos, além do estímulo ao envelhecimento ativo na prevenção de morbidades nesta faixa etária.

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Publicado

2023-04-03

Como Citar

de Melo da Silva, G. H., Schwenck Alves Silva, M., Pereira Lima Oliveira, G., Pampolim, G., & Carrupt Machado Sogame, L. (2023). Fatores relacionados à polifarmácia em pessoas idosas assistidas por uma unidade de saúde da família em Manhuaçu – MG. Clinics Biopsychosocial, 1(1). https://doi.org/10.54727/cbps.v1i1.2

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